Morre artista cocaiense Oliver, aos 77 anos

Causou pesar em Barão de Cocais, Belo Horizonte e Tiradentes (MG), a morte do artista plástico cocaiense, José Geraldo Oliver, 77 anos, desportista e ex-desenhista da Usiminas, descendente dos ingleses de Cornualha (sul da Inglaterra), que vieram trabalhar na mina do Gongo Sôco, em Barão de Cocais. Natural de Barão de Cocais, onde nasceu no dia 19 de maio de 1940, sendo filho primogênito do casal Emília e Milton Oliver, que teve mais dois filhos, Guilherme e Luzia. Eles residiam na Casa Colonial Amarela, demolida para dar lugar ao prédio do Varejão São João, na praça Alencar Peixoto (praça da Matriz).

Desde cedo tinha pendores pelo desenho artístico na escola, atividade desenvolvida pela artista plástica Elizabeth Henrique Pereira (dona Betinha), irmã do monsenhor Gerardo Magela Pereira, pároco de Barão de Cocais. Paralelo aos estudos fundamentais, na Escola Estadual Odilon Behrens, alojado no antigo Sobrado de Juca Vieira, próximo a sua residência, também praticava esportes, jogando futebol no campo do Jabaquara, no bairro da Lagoa, onde atuava como zagueiro. Como ótimo jogador, despertou interesse no time profissional do Metalusina, em Barão de Cocais, participando no campeonato mineiro na década de 1960. Pelo seu bom desempenho no Metalusina, foi convocado a integrar a equipe profissional do Usipa, patrocinado pela Usiminas, em Ipatinga, que disputava o campeonato mineiro. Ainda foi contratado pela Usiminas, onde trabalhou como desenhista da Cipa, no setor da Laminação de Tiras Quente, com 27 anos de idade. Depois foi para Itabira, para jogar no time profissional do Valeriodoce, patrocinado pela Companhia Vale do Rio Doce (Vale, antiga CVRD). Nesta cidade, conheceu a estudante universitária Lúcia Martins, da tradicional família itabirana da Casa Martins. Mais tarde, casou-se com ela, já professora universitária. O casal José Geraldo Oliver e Lúcia Martins Oliver, teve dois filhos, Giles Augusto Oliver e Yves Anderson Oliver, que lhe deram três netos, Gabriel e Bernardo Fernandes Oliver e Davi Almeida Oliver. O segundo filho, Yves Oliver, foi professor de Educação Física, na Escola Estadual Odilon Behrens (onde estudou seu pai) e na Escola Municipal Nossa Senhora do Rosário, no bairro da Viúva.

Em 1973, aos 33 anos de idade, estabelecidos em Belo Horizonte, José Geraldo aflorou a sua veia artística para pintura iniciada em Itabira e começou a pintar quadros em estilo impressionista, de mulheres e cenário colonial mineiro. Então, começou a expor suas pinturas em feiras de Belo Horizonte e nas Mostras de Artes da Festa de São João Batista e Festa dos Pés de Pomba em sua terra natal, Barão de Cocais, ao lado dos artistas cocaienses Chanina (médico de origem judia e polonês), Ferruccio e Marlene Trindade, tapeceira de fama internacional. Ainda, Oliver participou de mostras de artes em Belo Horizonte (onde tinha atelier), São Paulo, Curitiba, Goiânia, porto Alegre e Brasília (DF), além de Buenos Ayres e Estados Unidos, e outras galerias nacionais e internacionais.

Bem sucedido, resolve montar o seu atelier na Vila Colonial de Cocais, distrito de Barão de Cocais, construindo uma casa colonial tipo chalé, com madeiras de braúna, retiradas de fazendas da região. Neste atelier, produziu algumas de suas melhores obras de arte, em sua melhor fase da vida de artista cocaiense. Oliver, como assinava as suas obras, usava a figura feminina como tema de suas obras, usando uma técnica apurada, tendendo ao impressionismo abstracionista.

Anos depois, encontrando oportunidade de comercializar as suas obras intituladas “Mulheres de Oliver”, resolve montar um atelier na cidade histórica de Tiradentes (MG), vizinha de São João Del Rey, terra natal do presidente Tancredo Neves. Tiradentes, conhecida como cidade global, abrigando artistas nacionais e internacionais, passou a ser palco da produção artística de Oliver e realiza exposição em Nova York, Washington e Massachussets, cidades dos Estados Unidos, Quebec e Ontário (Canadá) e Paris (França), conhecida como “Cidade Luz” (capital da inteligência humana). No final de sua vida, foi acometido de uma doença degenerativa, há cinco anos, entrando em agonia, lenta e gradual, vindo a falecer aos 77 anos, em Belo Horizonte, onde seu corpo foi cremado. Na semana passada, a Câmara Municipal de Barão de Cocais, presidida pelo vereador Leonei Morais Pires, apresentou uma Moção de Pesar à família de José Geraldo Oliver, ocasião em que foi solicitado um minuto de silêncio e a inserção desta manifestação na ata dos trabalhos.
*Leonel Marques

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