Artigo: Educação, pilar da paz

  

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Dom Walmor Oliveira de Azevedo*
A educação é pilar da paz, sublinha o Papa Francisco, na oportuna mensagem para o Dia Mundial da Paz. O reconhecimento da importância do campo educacional leva, imediatamente, a um lamento: no Brasil e em outros países, os investimentos na educação têm diminuído consideravelmente. Não priorizar esses investimentos é sinal de juízos medíocres, que podem desconsiderar outras áreas também determinantes no desenvolvimento integral da sociedade, a exemplo da cultura, compreendida em seu sentido mais amplo – conjunto de hábitos e práticas civilizatórias que podem inspirar o exercício da solidariedade, eleger a igualdade como meta principal, reorganizar o contexto político e econômico nos parâmetros da justiça e da fraternidade universal. Reduzir investimentos na educação representa imposição dolorosa de atrasos à sociedade – comprometimentos que demandam muito tempo para serem superados. Por isso, as instâncias de decisão política precisam ter adequada compreensão no tratamento dedicado ao contexto educacional.

A sociedade brasileira, embora contando com avanços, está proporcionalmente padecendo com muitos atrasos. Para superar esses retrocessos, os recursos destinados à educação não podem ser considerados como despesas. São investimentos essenciais para que uma civilização alcance o desenvolvimento integral. Sem a educação há comprometimentos da liberdade e, consequentemente, da paz. O Papa Francisco diz, em tom de advertência e convocação: instrução e educação são os alicerces de uma sociedade coesa, civil, capaz de gerar esperança, riqueza e progresso. Compreende-se que na educação há um caminho insubstituível para superar descompassos – a exemplo das confusões alimentadas por violências – inclusive aquelas verbais – e tantas outras formas de incivilidade que atrasam diferentes contextos.

A escassez de líderes capazes de oferecer novas respostas aos problemas contemporâneos e a ameaça de ideologias que desencadeiam disputas sem lucidez, distanciando o ser humano da competência para estabelecer diálogos com força incidente na sociedade, são consequências do inadequado tratamento dedicado à educação. Há, infelizmente, uma tendência de se promover “cortes” de investimentos no campo educacional para compensar o aumento de despesas em outros setores. A raiz dessas escolhas lamentáveis é uma equivocada compreensão política, aliada à força de certos grupos que, a qualquer custo, buscam o lucro. Para superar essa realidade, são necessárias políticas econômicas que valorizem mais, conforme indica o Papa Francisco, investimentos públicos na educação, em vez de se criar fundos que estimulem o armamento. Também é preciso reconhecer que outros fundos, como o partidário, e diferentes rubricas das instâncias de decisão consomem recursos que poderiam ser destinados ao campo educacional.

As gestões pública e privada precisam ser interpeladas a priorizar a educação e, para isso, a sociedade deve conhecer mais profundamente o que se passa na realidade educacional do Brasil. As instituições de ensino públicas e particulares enfrentam sucateamentos preocupantes. As providências para corrigir essa situação, obviamente, não se restringem a ampliar os recursos financeiros destinados à educação. Precisam ser eleitos parâmetros pedagógicos, acadêmicos e científicos capazes de contribuir com o desenvolvimento integral e inspirar um novo humanismo.

O Papa Francisco lembra que um país cresce quando dialogam, de modo construtivo, as suas diversas riquezas culturais: a cultura popular, a cultura universitária, a cultura juvenil, a cultura artística e tecnológica, a cultura econômica, a cultura da família e a cultura dos meios de comunicação. Por isso, o Santo Padre está propondo um novo Pacto Educativo Global, em processo de reflexão e efetivação, para forjar um novo paradigma cultural. Uma proposta abrangente que há de envolver as gerações jovens, universidades, famílias, escolas, religiões, instituições, governantes e todos os cidadãos e cidadãs. A civilização contemporânea está desafiada a promover a educação que prepara o ser humano para viver nos parâmetros da ecologia integral e da fraternidade, inspirando novo estilo de vida. É um caminho longo, mas prioritário.

A Igreja no Brasil, por meio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), neste ano, contribuirá ainda mais para que todos conheçam a realidade da educação no país, com a Campanha da Fraternidade 2022. Um convite para que cada pessoa possa assumir o compromisso de mudar a realidade, promovendo avanços, na perspectiva do Pacto Educativo Global. A Campanha da Fraternidade 2022, Fraternidade e Educação, “Fala com sabedoria, ensina com amor”, por ocasião dos 40 anos da Pastoral da Educação no Brasil, será relevante na reconstrução do tecido social, cultural e político-econômico do país. Reconstrução a ser efetivada com o fortalecimento da educação – pilar da paz.
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

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