Artigo: Os ralos do Brasil

  

Paulo Antônio*

Neste momento, em que ocorreu uma audiência pública, promovida pelo Ministério da Saúde, para discutir o “problema” da vacinação contra Covid-19, para crianças de 5 a 11 anos, fico pensando e preocupado com o quanto eu sou ignorante. Deveria ter estudado mais para ser inteligente e, quiçá, sábio como os doutores que estão no poder. Não consigo compreender e acho que ninguém vai me convencer, sobre a utilidade da tal audiência.
Como também não tive o alcance suficiente para compreender a prescrição médica para a referida vacina. Vejo nos telejornais a sobrecarga nos postos de saúde e unidades de pronto atendimento, em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e outras localidades. E o Ministério da Saúde quer, sem nenhum sentido, aumentar a procura por profissionais de saúde, principalmente pediatras, que são os profissionais mais raros para atendimento à população que só pode contar com o serviço público.

Todas estas medidas meramente burocráticas, tem um custo para o país. E um custo alto, não só financeiro. Avalie, por exemplo, o aumento da demanda nas unidades de saúde por pais em busca de um pediatra que autorize o filho a tomar uma vacina. Não dá nem para calcular o custo marginal. O custo dos médicos disponíveis não vai aumentar, porque os vencimentos são fixos e dificilmente se vai conseguir aumentar o quadro de profissionais. Em Belo Horizonte, há mais de 400 vagas, segundo o governo municípal, a serem preenchidas e não há profissionais.

Parece-me estar havendo um desperdício muito alto com despesas desnecessárias ou evitáveis no país, à parte os R$ 5 bi para a promoção das campanhas políticas para as eleições quase gerais do ano corrente. Assusta o volume de propagandas instituicionais do TSE para resgatar/assegurar a confiança do eleitor nas urnas eletrônicas, fora o investimento para testá-las e assegurar publicamente a segurança dos procedimentos do voto. Toda a despesa, custosa para os cofres públicos, decorrente da injustificada desconfiança alardeada pelo principal gestor público da Res Publica.
Não somos assim um país tão pobre. Em cada ação pública, envolvendo subsídios, favorecimentos, precatórios falamos em bilhões de reais. Por isto não faltou os necessários recursos para a aquisição das vacinas ainda que não fosse uma prioridade para o sistema de saúde. O dinheiro é problema quando é para demandas como assistência à população, para a infraestrutura. A população vem pagando pela geração adicional da energia elétrica, em virtude da escassez da água nas hidrelétricas.

Este custo impacta, claro, as contas públicas, o teto orçamentário e, por decorrência, na confiança do investidor, nacional ou estrangeiro, à parte da insegurança jurídica com a enxurrada de Medida Provisórias. E eis aí o desemprego, a inflação e a desvalorização da moeda -juntando e projetando tudo, dá o preço que o pais ainda vai pagar…

*Jornalista (PUC-MG) e Especialista em Administração Financeira (FJP)

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