Foto ilustrativa, banca de verduras)
O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, divulgado nesta terça (14) aponta forte aceleração em todas as classes sociais, em dezembro de 2019, com maior pressão sobre as famílias com menor poder aquisitivo (1,19%), devido principalmente aos preços dos alimentos no domicílio. Já para o segmento mais abastado, o indicador subiu 0,99%, sendo mais impactado pelo crescimento dos transportes. Em contrapartida, a queda de 4,24% do preço da energia elétrica gerou um alívio inflacionário em todas as faixas de renda.

Apenas a inflação dos alimentos explica 97% de toda a variação de preços em dezembro para a classe de renda mais baixa – que recebe até R$ 1.643,78 por mês. Além das carnes (18,1%), tubérculos (6,4%), cereais (5,73%) e aves e ovos (4,48%) foram os grandes vilões da cesta de consumo das famílias mais pobres. Na outra ponta, os reajustes das passagens aéreas (15,6%) e dos combustíveis (3,57%) deram a maior contribuição para o crescimento da inflação da faixa de renda mais alta, cujos indivíduos recebem acima de R$ 16.442,40 por mês.

Após a incorporação do resultado de dezembro, houve uma forte aceleração nas taxas de variação acumulada em 12 meses para todos os níveis de renda, gerando, uma alta inflacionária, em 2019, maior que a observada nos dois anos anteriores. No balanço do ano, as famílias mais pobres apresentaram uma inflação levemente superior à registrada pelo segmento mais rico da população, influenciada, sobretudo, pelos aumentos dos alimentos no domicílio (7,8%), energia elétrica (5%) e do ônibus urbano (6,6%). Em contrapartida, a inflação do segmento mais rico foi impactada com maior intensidade pelos reajustes dos combustíveis (5,2%), dos planos de saúde (8,2%) e das mensalidades escolares (5%).

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda é calculado com base nas variações de preços de bens e serviços disponíveis no Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).