Foto de criança sendo vacinada, na Síria

Os surtos de sarampo continuam a se espalhar rapidamente pelo mundo. De acordo com os últimos relatórios preliminares fornecidos à Organização Mundial da Saúde, OMS, e divulgados nesta quarta-feira, (14) o número de casos notificados nos primeiros seis meses de 2019 é o mais elevado desde 2006.

A agência da ONU aponta que surtos estão sobrecarregando os sistemas de saúde e levando a doenças graves, incapacidades e mortes em muitas partes do mundo. A quantidade de casos é quase três vezes maior do que a registrada no mesmo período do ano passado.

Essa situação ocorre após sucessivos aumentos anuais desde 2016, indicando um crescimento preocupante e contínuo da carga global do sarampo no mundo.

Neste ano, a República Democrática do Congo, Madagáscar e Ucrânia foram os países que notificaram o maior número de casos. No entanto, o número caiu significativamente em Madagáscar nos últimos meses como resultado de campanhas nacionais de vacinação de emergência contra o sarampo, destacando a eficácia da imunização para acabar com os surtos e proteger a saúde.

Grandes surtos estão ocorrendo em Angola, Camarões, Chade, Cazaquistão, Nigéria, Filipinas, Sudão do Sul, Sudão e Tailândia.

Números
Os números reais de casos, capturados em estimativas globais divulgadas anualmente, são consideravelmente mais altos do que aqueles reportados por sistemas de vigilância devido à incompletude dos relatórios. A OMS estima que, no mundo, menos de um em 10 casos sejam notificados e aponta que a abrangência dos relatórios varia substancialmente de acordo com o país.

O ano mais recente com estimativas globais de casos e mortes por sarampo estão disponíveis na OMS é 2017. Naquele ano, havia 6,7 milhões de casos estimados de sarampo e 110.000 mortes estimadas relacionadas ao sarampo, com base em 173.330 casos notificados. Em 2018, foram notificados 353.236 casos de sarampo à OMS.

As estimativas globais de casos e mortes para 2018 serão divulgadas pela Organização Mundial da Saúde em novembro de 2019.

Com estas ressalvas descritas acima, para o período de 1º de janeiro a 31 de julho de 2019, 182 países notificaram 364.808 casos de sarampo à OMS. Para o mesmo período do ano passado, 129.239 casos de sarampo foram registrados em 181 países.

Para o atual período de 2019, a Região Africana da OMS registrou um aumento de 900%, 10 vezes mais. Já a região Europeia teve um crescimento de 120%, mais que o dobro, a Região do Mediterrâneo Oriental, de 50%, a Região do Pacífico Ocidental, de 230% e a Região do Sudeste Asiático e a Região das Américas tiveram uma redução de 15% nos casos notificados – isso não significa que essa região esteja em situação confortável. Isso tendo em vista que a doença havia sido eliminada de todos os países das Américas em 2016.

A mais recente atualização epidemiológica da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, publicada no dia 7 de agosto, mostra que a doença foi identificada em 14 países das Américas, de 1 janeiro a 27 de julho de 2019. A maior proporção foi registrada nos Estados Unidos, com 1.172 casos, no Brasil com 1.045 e na Venezuela, com 417.

Cobertura Vacinal
Os maiores surtos estão em países que têm atualmente ou tiveram no passado baixa cobertura vacinal contra o sarampo, deixando muitas pessoas vulneráveis à doença. Ao mesmo tempo, surtos prolongados estão ocorrendo mesmo em países com altas taxas nacionais de imunização.

Isso resulta de desigualdades na cobertura de vacinas e de lacunas e disparidades entre comunidades, áreas geográficas e entre faixas etárias. A OMS alerta que a doença pode se espalhar rapidamente.

Segundo dados de cobertura da OMS e do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, divulgados em julho de 2019, 86% das crianças receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo e 69% receberam a segunda. Isso significa que cerca de 20 milhões de crianças em 2018 não foram imunizadas contra o sarampo por meio dos programas de vacinação de rotina dos seus países.

Além disso, 23 países ainda precisam introduzir a segunda dose de vacina contra o sarampo em seus calendários nacionais de imunização.

A OMS está pedindo que todas as pessoas garantam que suas vacinas contra o sarampo estão em dia, com as duas doses necessárias para proteger contra a doença, e que verifiquem o próprio status de imunização antes da viagem.

As últimas recomendações de viagem da Organização Mundial da Saúde destacam que todos os menores de seis meses devem ser protegidos contra o sarampo antes de viajar para uma área onde o vírus está circulando. Aquelas pessoas que não tiverem certeza do seu estado de vacinação devem buscar um serviço de saúde.

A OMS recomenda que os viajantes sejam imunizados contra o sarampo pelo menos 15 dias antes da viagem.