Senadores elevam tom e pedem mudança de rumos para conter pandemia

  

Foto externa do Congresso
Foto de Rodrigo Pacheco
Após a morte do senador Major Olimpio (PSL-SP), terceiro membro do Senado a falecer devido à covid-19, vários senadores foram às redes sociais nesta sexta-feira (19) cobrar a intensificação das medidas de combate à pandemia. Os parlamentares destacaram a necessidade de união, de decisões firmes e de cobrança ao governo federal.

O senador Confúcio Moura (MDB-RO), presidente da Comissão Temporária da Covid-19 (CTCOVID-19), afirmou que o mundo inteiro passa por desafios neste momento e alguns países desenvolveram ações eficazes contra a disseminação da doença. Para ele, o Brasil precisa aprender com os casos bem-sucedidos. 

— Temos que copiar as boas experiências do mundo para encarar a pandemia. Não precisamos inventar a roda. Ninguém sabe nada dessa doença, ela é nova. O que temos de fazer é ir aprendendo com os outros.

Confúcio citou o caso de Portugal, que chegou a ter algumas das taxas mais altas de contaminação do mundo, mas depois teve sucesso ao instituir um lockdown nacional no início do ano. O resultado foi a redução na pressão sobre a rede hospitalar.

O líder da minoria, senador Jean Paul Prates (PT-RN), relatou que na última reunião de lideranças do Senado, na quinta-feira (19), alguns colegas afirmaram que a situação chegou ao limite.

— Houve apelos emocionados de diversos deles por uma solução. A maioria está consciente de que vivemos uma tragédia. Estamos com o país à deriva. Precisamos corrigir os rumos com urgência.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, Humberto Costa (PT-PE), alertou para o risco de falta de medicamentos e insumos para a intubação de pacientes de covid-19, situação que é iminente em algumas regiões do país. Para ele, o Ministério Público precisa atuar “de forma preventiva”, fiscalizando os hospitais.

Os senadores Paulo Paim (PT-RS) e Fabiano Contarato (Rede-ES) também chamaram atenção para esse cenário e apontaram “falta de comando” do governo federal e do presidente Jair Bolsonaro.

— Se Bolsonaro não for afastado com urgência, o Brasil assistirá a uma carnificina inimaginável. Estancar sua sabotagem e inoperância é questão de sobrevivência: um ato de legítima defesa — disse Contarato no Twitter.

Simone Tebet (MDB-MS), líder da bancada feminina no Senado, divulgou uma carta aberta em que acusa o governo federal de não ter coordenação ou plano contra o avanço da pandemia. Na mensagem, ela cobra a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) no Senado que funcione como um “instrumento de pressão”.

— Audiência pública não basta. Comissão de acompanhamento é importante, mas não suficiente. De pouco adianta apenas acompanhar quem navega à deriva. É preciso, é urgente, uma mudança de rumos.
Agência Senado