Este ano de 2017 completa 85 anos do falecimento da advogada cocaiense Elvira Komel, a primeira líder feminista mineira a lutar pelo voto feminino na década de 30. Ela faleceu em Belo Horizonte, sendo sepultada no Cemitério do Bonfim. Também, neste ano de 2017, é lembrado os 85 anos da conquista do voto feminino no Brasil, conseguido por Elvira Komel, advogada nascida no bairro Capim Cheiroso, em Barão de Cocais. Ela também foi a primeira mulher no Brasil a ser candidata ao senado estadual (deputada estadual).
Estas façanhas foram levadas ao conhecimento dos seus conterrâneos pelo então pesquisador e estudante de Filosofia, Leonei Morais Pires, atual presidente da Câmara Municipal de Barão de Cocais. Na ocasião, Leonei Pires fez a exposição de fotos sobre a trajetória de Elvira Komel no cenário estadual e nacional, posteriormente doadas ao Centro de Referência Histórica (Museu CRH), localizado na praça do Santuário, no antigo prédio do Cine Rex. Ainda, Leonei Pires doou documento e fotos ao Memorial do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG), em Belo Horizonte.
Elvira Komel nasceu em São João do Morro Grande, hoje Barão de Cocais, em 24 de junho de 1906, filha do casal Jossef Ernest Komel, de origem austríaca, especialista em montagem hidráulica e usinas elétricas, e da dona de casa, a cocaiense Marieta Correia Guedes, irmã de Carolina Correia Guedes, avó da engenheira ambiental Elmás Syrio da Silva Vital, esposa do jornalista e escritor cocaiense J.D. Vital.
Jossef Komel foi morador do bairro Capim Cheiroso, na fazenda de João Raimundo da Silveira, onde montou uma caldeiraria. Ali, nasceu Elvira Komel, que fez o ensino primário em Barão de Cocais, sua terra natal. Depois, a família mudou-se para Viçosa (MG), onde ela cursou o ginásio (1921-1924), sendo considerada excelente aluna. Contrariando os costumes da época, deixou Minas Gerais, para estudar Direito no Rio de Janeiro. Durante os estudos universitários, trabalhou voluntariamente como datilógrafa para o Instituto de Surdos e Mudos, inserindo-se no contexto de assistente social. Ela foi a primeira advogada a atuar em Minas, no Fórum da Comarca de Belo Horizonte, enfrentando juízes conservadores da época, inclusive o promotor de Justiça, Afonso Arinos de Mello Franco, futuro ministro de Relações Exteriores e constituinte em 1988.
Elvira Komel foi comandante e fundadora do batalhão feminino João Pessoa, reunindo oito mil mulheres durante a Revolução de 30, liderada por Getúlio Vargas, cuja esposa Alzira Vargas era sua amiga. Também era amiga dos poetas Carlos Drummond de Andrade e Cyro dos Anjos. Elvira depois transformou o batalhão feminino em associação feminina, organizando o I Congresso Feminino Mineiro, em Belo Horizonte, em junho de 1931. Em julho de 1932, deslocou-se para Juiz de Fora, onde pronunciou diversas palestras sobre a Revolução de 30 e seu caráter político, preparando-se para a sua candidatura ao senado estadual (deputada estadual). De regresso a BH, sentiu fortes dores de cabeça, vítima de meningite, vindo a falecer no dia 25 de julho de 1932, com apenas 26 anos de idade, sendo sepultada no Cemitério do Bonfim, na capital mineira.
*Leonel Marques

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