Em um mundo cheio de poluição sonora, não importa se no lazer ou no trabalho, a audição é prejudicada de qualquer forma
Vivemos cercados da poluição sonora moderna que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a terceira maior (poluição) do meio ambiente, perdendo apenas para a da água e do ar – por isso, cuidados com a audição são de extrema importância.

A audição, sentido fundamental para o desenvolvimento e comunicação dos seres humanos, é mais frágil do que se imagina: Os ouvidos têm estruturas delicadas, muito sensíveis ao ruído, que podem facilmente ser deterioradas de maneira irreversível. “Quando o som penetra o canal do ouvido provoca vibrações do tímpano e dos 3 ossículos (martelo, bigorna e estribo). Essa vibração produz ondulações nos líquidos da orelha interna, estimula as células sensoriais auditivas que, por sua vez, estimularão o nervo e as vias da audição até o cérebro”, explica Dra. Rita de Cássia, otorrinolaringologista e mestre em cirurgia clínica. “Dependendo da intensidade do som e do tempo de exposição a ele, sons muito fortes danificam as células e geram a perda auditiva”, afirma.

O permanente contato com o ruído, som desagradável, constitui um dos principais problemas de saúde ocupacional e ambiental na atualidade: “A exposição contínua a sons altos e hábitos cotidianos prejudiciais a sensibilidade individual são fatores que comprometem a saúde dos ouvidos, e quando o indivíduo se dá conta do que está acontecendo, a sua capacidade auditiva já não é mais tão boa quanto costumava ser”, explica Rita.
No Brasil, com base nos dados da Sociedade Brasileira de Otologia, 63% dos brasileiros sofre algum tipo de surdez. Sua principal causa é o envelhecimento auditivo seguido pela perda auditiva relacionada ao ruído. Segundo a otorrinolaringologista, quanto mais se expuser a estes sons fortes maior a probabilidade de prejudicar a audição.

“Existem três tipos de perda auditiva relacionada ao ruído. A primeira é a mudança temporária do limiar da audição ou surdez temporária e que ocorre após um tempo de exposição a um barulho intenso; a surdez permanente, causada pela exposição contínua a ruídos intensos e o trauma acústico, que é a perda auditiva repentina após a exposição a um ruído de impacto como um tiro ou uma explosão. Existem limites de tolerância ao ruído e tempo máximo de exposição diária admissível. “, cita a doutora.

Rita identifica, também, os efeitos do ruído, que provocam sintomas auditivos e não auditivos: “zumbido, sensação de audição abafada e sensibilidade a sons são sintomas de alerta do risco para desenvolver perda de audição, observado antes da percepção da dificuldade de ouvir. É um sinal de vulnerabilidade auditiva. Notado após a exposição e seu incômodo pode ser leve e passageiro o que retarda o diagnóstico da lesão auditiva”, explica Rita. A perda auditiva é percebida quando a audição já está bastante comprometida e provoca, segundo a doutora:
– Dificuldade de comunicação, para entender a fala, acompanhar conversas em grupo, ouvir sons de alarme, necessidade de aumentar o volume da TV
– Irritação e intolerância a lugares ruidosos

– Aborrecimento, constrangimento, e isolamento por perceber que a audição está danificada e incompreensão da família.
“A reabilitação da perda auditiva com aparelhos auditivos está indicada precocemente para auxiliar as dificuldades de comunicação e o zumbido”, sinaliza.

Quanto os sintomas não auditivos, engloba, segundo Rita tontura, dor de cabeça, fadiga, estresse, transtornos de sono, digestivos e cardio vasculares. “No ambiente de trabalho a legislação orienta os limites de exposição e os programas de prevenção incluem o controle do risco de perda auditiva, exames periódicos da audição, uso de protetores auditivos e ações educacionais para cuidados com a audição”, acrescenta a Otoneurologista , que expõe, também, algumas medidas que podem ser tomadas em relação ao ruído de lazer:
– Evitar lugares barulhentos.
– Diminuir o volume de aparelhos eletrônicos em casa.
– Uso de protetor auditivo em shows e eventos esportivos. Se possível intercalar períodos de 20 minutos em local de menos ruído quando em casa noturnas, bares, danceterias.
– Evitar 2 dias seguidos de exposição a ruídos fortes. Dar chance de os ouvidos se recuperarem em ambientes silenciosos e não evoluírem para lesões definitivas.
– Manter distância de caixas de som em festas, baladas e trios elétricos.
Aos primeiros sintomas de dificuldade na audição deve-se procurar um médico otorrinolaringologista. “O diagnóstico da perda auditiva relacionada à exposição ao ruído será dado pelo médico otorrinolaringologista após exames de audição realizados por fonoaudiólogo”, orienta, por fim, a Dra. Rita de Cássia.
Rita de Cássia Cassou Guimarães é Otorrinolaringologista, otoneurologista, mestre em clínica cirúrgica pela UFPR

Comentário

*