Mostra reúne 20 obras da fotógrafa Juliana Lima que retratam culturas, pessoas e a natureza, de diversos países

Foto da fotógrafa Juliana Lima

Inspirada pelas diferentes culturas e pelos lugares mais inóspitos do planeta, a fotógrafa Juliana Lima, que já visitou mais de 40 países, fez uma imersão durante dez dias em aldeias indígenas do Parque Xingu, no Mato Grosso, e pode vivenciar, de perto, a rotina da etnia Kalapalo. O resultado são registros antropológicos, fotos únicas que mesclam instantes, arte e sentimentos. E algumas dessas peças estarão na exposição inédita “Beira Mundo – Fronteiras e Conexões”, que acontece na CasaCor Minas 2019, entre esta sexta, 13, e domingo, 15 de setembro, das 15h às 22h, no Palácio das Mangabeiras. Ao todo, serão 20 obras, que expressam momentos, costumes e comportamentos de povos e habitats. Entre as peças também estão fotografias feitas na Ásia, Inglaterra, Escócia, França, Grécia, África do Sul, Estados Unidos, Canadá, Chile, Bolívia, e outros.
Apaixonada por capturar instantes que refletem seu olhar sobre pessoas, culturas e natureza, Juliana percorre o mundo há mais de duas décadas contando histórias por meio de fotos. “É uma ligação que extrapola fronteiras em busca de uma consciência maior: a similaridade entre os povos, a proteção das nossas riquezas naturais e a preservação do nosso planeta”, explica a fotógrafa.
Juliana comenta que, há alguns anos, ela comprou uma lente especial para trazer ainda mais naturalidade para seu trabalho. “Adquiri uma lente 400mm, que eu chamo de paparazzo, justamente para poder focar em fotos que não são posadas. A intenção é capturar momentos e instantes diferenciados, o olhar de uma pessoa, o sorriso ou a falta dele, desde que seja uma cena honesta”, diz. Ela conta que quando se aponta uma câmera para o rosto da pessoa, automaticamente, ela dá uma recuada. “Por isso, às vezes, até prefiro manter um pouco a distância, para não deixar passar uma cena que esteja ocorrendo”, conta a profissional.
Essa foi, inclusive, a postura adotada por Juliana, quando ela flagrou um monge pensativo na Tailândia, de forma espontânea, em um momento de grande espiritualidade. Foto que também ilustra a mostra “Beira Mundo – Fronteiras e Conexões”.
A exposição é uma criação da marca Julima Globlal Click, que surgiu com a proposta de oferecer um olhar antropológico, social, ambiental e artístico sobre diversas culturas para debater questões sociais e ambientais, por meio da fotografia. E ainda para registrar a admiração e o respeito pela diversidade e a vontade de preservação. No Parque Xingu, por exemplo, Juliana dormiu em ocas, se alimentou da mesma comida e nadou no rio com índios da região. “Meu trabalho vai além de apenas fazer fotografias, a intenção é registrar a essência daquela cultura. E isso só é possível conhecendo, de fato, como eles vivem”, ressalta Juliana.
Parte da renda arrecadada com a venda das obras expostas na CasaCor 2019 será destinada para etnia Kalapalo, povo com quem Juliana esteve. “As ocas são feitas de madeira e necessitam ser reconstruídas a cada dez anos e para isso, os índios precisam levar as madeiras até o local da aldeia, que é de difícil acesso, por isso, o apoio financeiro é importante”, detalha Juliana. “A quantia é para auxiliar na construção dessas casas e no transporte dos materiais”, completa.